Eles movem o mundo


Publicado em: 12/04/2011 | Veículo: FGV MANAGEMENT


Eles vêm de diferentes cantos do mundo e têm, aparentemente, pouco em comum. Um faz bolos, outra é especialista em cálculos de aposentadoria. Tem gente que trabalha com caixas registradoras e gente que digitaliza filmes. Eles estão todos juntos porque foram convidados por um ícone do empreendedorismo, o empresário americano Michael Dell, fundador e controlador da fabricante de computadores Dell Corporation, para apresentar suas histórias de sucesso na sede da empresa no Texas, Estados Unidos.

 

“Empreender é sempre difícil”, disse Dell na abertura do evento. “Os melhores negócios são criados contra todas as probabilidades, quando ninguém espera.” Leia, a seguir, as histórias de donos de empresas que, cada um em seu país, contrariaram as probabilidades e prosperaram.

 

Contra o ceticismo

 

Thilo Kuther, 46 anos, da Alemanha, fundador da Pixomondo

 

A Pixomondo, fundada em 2001 em Frankfurt, na Alemanha, cria efeitos visuais e produz desenhos animados sob encomenda para os grandes estúdios de cinema. A empresa faturou 40 milhões de euros em 2010 e tem 400 funcionários espalhados por nove escritórios em cinco países – Estados Unidos e China incluídos. Thilo Kuther, o fundador, teve a ideia do negócio na época em que estudava para ser médico e mexia com imagens para diagnóstico de doenças. “Logo percebi que não gostava muito de medicina”, diz. Criar imagens tridimensionais no computador virou, a princípio, um passatempo. Logo depois, profissão. “Abri a empresa no porão da casa dos meus pais.” O negócio prosperou rapidamente e consagrou o modelo descentralizado pensado por Kuther para a expansão da Pixomondo – cada unidade atua localmente na prospecção de clientes, mas também colabora na realização de tarefas compartilhadas pelos outros escritórios. Além de convencer a mãe de que a medicina não era sua vocação, Kuther teve de lutar contra o ceticismo de seus compatriotas. “Enquanto você estiver na média e se comportar como todo mundo na Alemanha, não terá problemas”, diz. “Mas se você tem uma grande ideia, ninguém vai te incentivar a colocá-la em prática. Precisei de muita audácia ao abrir minha empresa, pois todos só me mostravam exemplos de fracassos”, afirma.

 

Contra a falta de dinheiro

 

Kym Houden, 58 anos, da Austrália, fundador da Task Retail Technology

 

O australiano Kym Houden passou 25 anos trabalhando no mercado de automação de pontos de venda antes de abrir seu próprio negócio, na mesma área. A Task Retail Technology nasceu no ano 2000, na garagem de Houden, em Sydney, como revendedora de softwares para o setor. Três anos depois, já atuava em escala global e passou a desenvolver os próprios programas para caixas registradoras. A empresa tem hoje um escritório nos Estados Unidos (além da sede na Austrália), 26 funcionários e cresce a um ritmo de 100% ao ano desde sua fundação (o faturamento não é revelado). Quando decidiu empreender, Houden tentou, sem sucesso, levantar US$ 10 mil junto aos bancos para começar o negócio. “Fui rejeitado”, diz. “Tive de recorrer a um amigo para conseguir um empréstimo.” O espírito empreendedor de Houden foi despertado pelo cansaço que o abateu após duas décadas e meia dando expediente como executivo. “Estava ficando doente por causa do mundo corporativo.” Hoje, Houden vende saúde – além de softwares.

 

Contra a pecha de herdeiro

 

Vishvas Chitale, 47 anos, da Índia, sócio e principal executivo de tecnologia do Chitale Group

 

O laticínio Chitale Group foi fundado em 1939 na vila de Bhilwadi, na Índia, por Bhaskar Chitale. Nos primórdios, a ordenha era manual e a distribuição do leite não ultrapassava os limites do povoado. Sete décadas depois, a empresa produz 500 mil litros de leite por dia com a ajuda de 10 mil fazendeiros associados. O Chitale conta hoje com laboratórios de pesquisa, enfermaria veterinária e investe em inseminação artificial e em processos de seleção dos animais. O laticínio permanece sob controle da família Chitale, que não revela quanto fatura. Vishvas Chitale faz parte da terceira geração de empreendedores do clã e cuida da área de tecnologia da empresa. Quando estava na faculdade, chegou a pensar em fazer carreira por conta própria, longe do grupo familiar. “Meu pai me deu essa opção”, diz. Hoje se declara muito satisfeito com a decisão de ter se juntado ao grupo, principalmente por ter tido a oportunidade de trazer inovação para uma atividade tradicional. Apesar do respeito à cultura milenar hindu, o país é bastante aberto a práticas modernas, segundo ele. “As pessoas na Índia tentam pensar fora do padrão.”

 

Contra o sistema

 

Fiona Page, 48 anos, do Reino Unido, sócia da PensionsFirst

 

A PensionsFirst nasceu em 2008, em Londres, para oferecer serviços de automação de cálculos de aposentadoria e pensões. Os softwares criados pela empresa realizam em poucos segundos operações que, dada a complexidade do sistema previdenciário britânico, levavam horas para ser efetuadas. A demanda pelo serviço foi tão grande que, menos de dois anos após a criação, o negócio já colabora na gestão de mais de 30 bilhões de libras esterlinas em ativos. O empreendimento foi criado por Fiona Page, a partir de um convite feito por um ex-colega de trabalho. Timothy Lions apareceu com o projeto da PensionsFirst e nem precisou de muito esforço para convencê-la a deixar o emprego como consultora de empresas. “O mercado de pensões vivia na idade da pedra”, diz Fiona. “Era evidente que poderíamos ser bem-sucedidos com nossas soluções.”

 

Contra o conservadorismo

 

Jean Mizrahi, 51 anos, da França, fundador da Ymagis

 

O francês Jean Mizrahi trabalhava em um laboratório de processamento de película cinematográfica quando se convenceu de que a atividade estava condenada pelo avanço da digitalização. Em vez de esperar sentado pelo dia em que a extinção chegaria, Mizrahi resolveu agir e abriu um empreendimento de conversão dos tradicionais filmes 35 milímetros para formatos digitais. “A empresa em que eu trabalhava não quis dar esse passo”, diz. “Então eu simplesmente pedi demissão e fui abrir meu próprio negócio.” A Ymagis nasceu em 2007, em Paris, após Mizrahi conseguir convencer investidores de que sua ideia tinha futuro. “Só consegui levantar dinheiro quando mostrei que os Estados Unidos já estavam avançando na digitalização”, diz Mizrahi. “Os europeus são conservadores nesse sentido.” Hoje a empresa emprega 25 pessoas e esperava multiplicar o faturamento por quatro em 2010, com a digitalização de 600 filmes. Em 2011, a Ymagis deverá processar pelo menos 1.500 películas. “No final, o sucesso depende da disposição em se tomar riscos”, diz Mizrahi.

 

Contra a tecnologia tradicional

 

Daniel Duarte, 37 anos, do Brasil, fundador da Tellfree

 

O brasileiro Daniel Duarte abriu a Tellfree em 2005, após dois anos de pesquisas sobre o mercado de telefonia no país. “Temos um dos serviços de telecomunicações mais caros do mundo”, diz. Da constatação, surgiu a ideia de criar uma plataforma de comunicação baseada na internet com especialização no mercado corporativo. “As soluções que existiam na época, como o Skype, eram para consumidores domésticos.” No primeiro ano de atividade, o faturamento foi de R$ 300 mil. Em 2010, bateu na casa dos R$ 30 milhões. “Inovar é um caminho perigoso, principalmente no Brasil, onde não há muito investimento em empreendedorismo”, diz Duarte. “Mas o brasileiro é criativo e consome muita tecnologia, o que fez a Tellfree prosperar.”

 

Contra o medo da mudança

 

Warren Brown, 40 anos, dos Estados Unidos, fundador da CakeLove

 

Warren Brown é apaixonado por cozinha desde garoto. Começou dando uma força para a mãe e nunca deixou de exercitar seu dom, mas só decidiu se profissionalizar em 2002, aos 32 anos de idade. Ele ganhava a vida como advogado quando resolveu criar a confeitaria CakeLove em Washington, DC. “Tomei a decisão quando comprei um livro sobre bolos”, diz Brown. “Era o que queria fazer.” Em plena capital da terra do fast-food, Brown achou um diferencial justamente ao optar por utilizar apenas ingredientes frescos e naturais e quantidades menores de açúcar do que a concorrência. Hoje a empresa tem sete unidades nos Estados Unidos e Brown se tornou uma minicelebridade do mundo gastronômico, com dois livros publicados e um programa de TV em canal especializado. “Ter um negócio bem-sucedido faz parte do estilo de vida americano”, afirma Brown. “O problema aqui é que muita gente não tem coragem suficiente para se arriscar.”


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